segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Como surgiu o ferro de passar roupa?


O ferro de passar roupa, como é conhecido por uns, ou ferro de engomar, como é identificado por outros, é usado pelas pessoas para passar peças de pano do vestuário, ou as de cama, mesa e banho, em geral, alisando tecidos através do seu aquecimento. Antigamente, esse aquentamento era conseguido graças à queima de óleo, carvão ou gasolina, mas desde 1892 a energia elétrica foi se tornando, gradativamente, a fonte do calor necessário ao uso desse aparelho.

A história do ferro de passar começou há centenas de anos, provavelmente por volta do século 4, ou talvez um pouco antes, período em que supostamente já existiam formas de alisar as roupas usadas principalmente pelas mulheres. Também é aceito que os chineses foram os primeiros a utilizar uma versão rudimentar do instrumento empregado nessa tarefa, que consistia numa vasilha metálica em forma de panela, cheia de carvão em brasa, e manuseada pelo passador, ou passadora, através de um cabo de madeira, osso ou outro material, a fim de obter o resultado que desejava. Pelo que se sabe, nos séculos seguintes os alisadores criados no ocidente passaram a ter a madeira, o vidro ou mármore como os materiais mais comuns utilizados na sua fabricação, dizendo-se, também, que eles eram aplicados a frio, uma vez que, segundo as mesmas versões, como até o século 15 as roupas eram engomadas, isso impossibilitava o trabalho a quente.

Apesar de tais informações, o ferro de passar roupa, na forma mais ou menos assemelhada à que conhecemos agora, tem suas primeiras referências a partir do século 15, quando o ferro a brasa passou a ser usado por um número cada vez maior de pessoas. E assim continuou por muito tempo, até que no século 19 começaram a surgir outras modalidades desse instrumento, como o ferro de lavadeira, o de água quente, a gás e a álcool. A evolução do produto atingiu seu ponto culminante em 1882, quando o americano Henry W. Seely obteve a patente de um ferro de passar elétrico, e mais adiante, em 1926, quando surgiu o primeiro ferro a vapor. Enquanto isso, no Brasil a nacionalização desse produto ocorreu somente durante a década de 1950; antes disso, o abastecimento do nosso mercado interno era feito através da importação.

            Sobre o ferro elétrico surgido em 1882, a história registra que na época do seu lançamento ele não obteve o sucesso que seu inventor esperava, chegando mesmo a ser quase esquecido pelas donas de casa. O motivo desse fracasso comercial deveu-se ao fato de que a maioria das residências daquela época não dispunha de rede elétrica, e as que contavam com esse recurso somente podiam usar o novo instrumento à noite, porque durante o dia as empresas de distribuição da energia suspendiam seu fornecimento à população. Como isso forçava às mulheres a prolongar a atividade doméstica pelo período noturno, elas preferiram continuar usando os mesmos recursos de que vinham se valendo até então, para não alterar os seus hábitos. Porém, mais adiante, a melhoria nos serviços de oferta de eletricidade aos consumidores foi aos poucos transformando o instrumento em um eletrodoméstico indispensável em qualquer residência.
            Na mesma época de surgimento do ferro elétrico, outra invenção semelhante foi apresentada ao público, um modelo em que o calor necessário ao instrumento era produzido por uma lâmpada. Mas ele não agradou a ninguém porque seu uso oferecia certo perigo a quem o tivesse em mãos. Dez anos mais tarde (1892) apareceram os ferros de passar com resistência. Eles eram mais práticos, eficientes e seguros; aliavam limpeza ao controle de temperatura, permitindo que sua elevação ou diminuição fosse feita sem perda de tempo; podiam ser usados em qualquer local que dispusesse de eletricidade; e, sobretudo, eram oferecidos aos interessados a preço acessível.

             Beneficiado pela expansão da rede de distribuição elétrica, e pela facilidade de produção e montagem dos instrumentos, o que podia ser feito até mesmo pelos pequenos fabricantes da época, o ferro elétrico continuou despertando o interesse das donas de casa em tê-lo e usá-lo na rotina diária de suas respectivas moradias. Em 1924 surgiu o termostato regulável, o que passou a evitar a queima das roupas, e dois anos mais tarde o ferro a vapor. A partir da década de 1950 os fabricantes começaram a abastecer o mercado com uma grande variedade de formas e feitios dos ferros de passar, disponibilizando modelos capazes de atender o gosto e preferência dos consumidores, que hoje encontram em qualquer loja especializada os seguintes produtos:

- Ferros a seco - São os ferros tradicionais, que embora em desuso continuam sendo os preferidos por muitas donas de casa.
- Ferros a vapor - Como facilitam a eliminação de vincos e rugas, são indicados para uso doméstico.
- Ferros com gerador de vapor - São equipados com uma caldeira e usados especialmente em lavanderias.
- Ferros de viagem - Pequenos, leves e portáteis, são ideais para se levar e usar em qualquer viagem que se faça.
           
            Sobre esse mesmo assunto o jornalista Fernando Cerqueira Lemos escreveu “O Ferro de Passar Passado a Limpo”, livro onde ele“descreve a coleção de ferros de passar do Museu Paulista, em São Paulo, que conta com ferros de uso no Brasil no século 19 e início do 20. A origem e a evolução deste artefato e suas várias categorias são retratadas, por meio de textos e fotografias coloridas”. Na apresentação desse trabalho impresso em 2004 pela EDUSP – Editora da Universidade de São Paulo, está dito que “A coleção que inspira este livro começou há mais de 30 anos, quando o autor adquiriu seu primeiro ferro de passar: um ferro alemão da marca L. Schroder. Durante esses anos continuou acrescentado exemplares de várias procedências, marcas, tipos. Cresceu também seu interesse por esses objetos domésticos, relegados a um plano secundário na historiografia brasileira, o que o levou a empreender esta pesquisa que ilustra um pouco de nossos costumes. Fernando Lemos apresenta a história do ferro de passar, discorrendo sobre a evolução dos modelos e tipos, a história dos principais fabricantes e a sua contextualização histórica, ao lado de vasta bibliografia para os interessados em aprofundar seus conhecimentos. O livro é ricamente ilustrado com reproduções de exemplares de sua coleção, hoje depositada no Museu Paulista”.

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