terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Como Surgiu o Dicionário?


Dicionários são coleções de palavras de uma língua, dispostas em ordem alfabética e com o seu significado na mesma ou em outra língua. Eles existem desde a Antigüidade, quando os impérios de sumerianos, assírios e babilônios, que floresceram por volta de dois mil e quinhentos anos antes de Cristo, empregavam algo parecido para explicar os sinais cuneiformes que formavam seus ideogramas, precursores do alfabeto escrito hoje utilizado.

          Mas os verdadeiros criadores dos dicionários foram os gregos, a começar por Apolônio de Alexandria (século I da nossa era), gramático grego conhecido como O Sofista, que preparou o primeiro deles, o “Léxico das palavras de que se serviu Homero”. Depois surgiram outros, tratando das palavras e frases ambíguas dos poetas trágicos e cômicos, ou então dos termos de culinária, vasos de beber, gritos de animais e sinônimos, das obras de Platão e Hipócrates, etc. O gramático grego Ateneu, que viveu no século 2, revela em seus escritos a existência de nada menos que trinta e seis dicionários perdidos para nós.

          Foi entre os séculos 13 a 17 que surgiram na Europa os dicionários na forma como hoje são conhecidos. O mais famoso deles foi o do religioso italiano Ambrósio Calepino (1438-1511), que dedicou sua vida à organização do Dictionarium, impresso pela primeira vez em 1502, na cidade de Régio. Durante o século 16 esta obra foi consultada por todos os sábios da Europa e teve diversas edições publicadas, das quais a mais completa é a da Basiléia (1590), que abrange onze línguas, tornando-se tão famoso que o termo calepino passou a ser sinônimo de dicionário, da mesma forma como hoje se diz Aurélio no Brasil. Algumas décadas mais tarde (1572), o impressor francês Henrique Estienne (1531-1598) publicou oThesaurus Linguae Graecae, obra em quatro volumes e de grande erudição.

          O primeiro dicionário português, autoria de Jerônimo Cardoso, surgiu em 1569 com o nome de Dictionarium Lusitano-Latinum / Latinum-Lusitanum, e teve sete edições publicadas até 1694. Continha cerca de seis mil termos ou frases latinas, com a respectiva tradução na língua portuguesa, mas foi acompanhado logo depois, em 1611, pelo Dictionarium Lusitano-Latinum, de Agostinho Barbosa, uma obra enriquecida por quantidade expressiva de novas palavras. Como registra Inocêncio Francisco da Silva em seu Dicionário Bibliográfico (1860, vol IV: 259), a obra de Jerônimo Cardoso:

          "Era o primeiro vocabulario d'este genero que se imprimia para subsidio do estudo das linguas latina e portugueza; e por isso mereceu extraordinaria aceitação; o que bem provam as repetidas reimpressões que d'elle se fizeram, ainda depois de apparecer o outro Diccionario de Agostinho Barbosa e até a Prosodia de Bento Pereira". 

     Diversos outros dicionários da língua portuguesa podem ser citados, ente eles o Vocabulário Português e Latino, de D. Rafael Bluteau, publicado de 1712 a 1718, em oito volumes e incluindo muitos provérbios; o Dicionário da Língua Portuguesa (1789), de Antonio Moraes Silva, em dois volumes mas com uma segunda edição ampliada em 1813; e o melhor de todos, o Grande Dicionário Português ou Tesouro da Língua Portuguesa, editado em cinco volumes entre os anos de 1871 e 1874. 

 
     A elaboração de dicionários no Brasil começou em 1789, quando o brasileiro Antônio de Morais Silva editou em Lisboa o Dicionário da Língua Portuguesa. Em 1881, Francisco Julio Caldas Aulete publicou o seu Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa, sucedido por muitos outros trabalhos semelhantes distribuídos no país durante o século 20, como o Grande e Novíssimo Dicionário da Lingua Portuguesa, de Laudelino Freire, apresentado em cinco volumes, entre 1929 e 1943. Mas o mais conhecido de todos é o Novo Dicionário da Língua Portuguesa, de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, lançado em 1975.

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